"Como pode, menina, me diz? Como você ainda acredita nessas coisas? No quê? Você sabe: nas pessoas, no amor, num amanhã melhor do que o hoje.
Te vejo suspirando pelos cantos, traçando planos mirabolantes, jogando palavras ao vento, e me pergunto como você consegue, de onde você tira tanta determinação? Deve ser algum tipo de predestinação, alguém um dia decidiu que você carregaria esse peso sobre os ombros: ser uma sonhadora. E você se apoderou do título. Teu sonho conduz tua vida, direciona teus passos, molda teu caminho. E você não desiste até alcançá-lo.
Não cansa não? acreditar na vida assim, procurar tanto por um amor, quando o mundo lá fora grita que não há mais espaço para finais felizes, muito menos para "felizes para sempre"? Onde já se viu sonhar com amores eternos num mundo tão fugaz? Contos de fadas não existem mais, menina. Todas essas loucuras com que você sonha, as cenas de filme, os pores de sol, as declarações inesperadas, o amor maior do que tudo, tudo isso talvez seja coisa de outro mundo. Me perturba vê-la aqui parada nessa estação a espera do trem que te levará a esse outro mundo. E se ele não mais existir? E se uma onda gigante destruiu o que restara dele? E se todas as pontes que permitiam o acesso foram destruídas? E se? Existem tantos outros trens com tantos outros destinos diferentes, por que insistir nesse destino desconhecido? E se não chegar nunca? Eu sei, você vai dizer que não desiste até chegar lá. Mas em algum momento a espera deve machucar, não? Como naquela vez em que fostes arremessada de forma abrupta do trem que te levaria até lá. Te observei em silêncio, menina, e dessa vez achei que fosse o fim, que você não voltaria jamais a esse ponto de espera que poderia te levar novamente àquela dor incessante que sentias.
Mas você voltou. Rasgou pedaços de papel, chorou, sumiu daqui por uns dias, se trancou em seu mundo, mas voltou. Quando eu menos esperei, te vi sorrir ao sentar em frente à plataforma. Lá estava você: cabeça erguida, malas prontas pra começar tudo de novo, esse amor pela vida exposto em cada poro do teu rosto. Você ressurgiu com esperança. De onde sai tudo isso, menina? Que chama de esperança é essa que não apaga nem com as chuvas e rajadas de vento que a vida lança sobre ti? E essas lágrimas que vez ou outra caem? não te ensinam nada? não te dão uma lição? Não, a resposta provavelmente é essa ou então algum daqueles clichês de gente lunática que falam sobre volta por cima e lágrimas serem parte da vida.
Lembro daquele dia em que te vi chorar e você sorriu em meio as lágrimas quando me viu e disse baixinho: "Eu ainda acredito." Esse deve ser o teu grito de guerra, menina. Suspeito que no meio da tua angústia, você levanta e brada que ainda acredita. Admiro você. Admiro a sua coragem e sua entrega. Mas me diz, menina, mesmo assistindo de perto a todas essas chegadas e partidas dolorosas, você ainda acredita?
Eu acredito até o fim."
Wake up open your eyes.
"O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que nem eu mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que tem saudade... sei lá de quê!" ( Florbela Espanca)
quinta-feira, 5 de abril de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Desvaneios...
Cabeça as vezes fica confusa... na verdade, geralmente é confusa.
Tem tanta coisa fora do lugar, pessoas desesperadas procurando coisas que não lhe pertencem mais ou que nunca vão encontrar. Por puro costumes de sempre ter... e esse ter é complicado, porque na verdade não se tem. Eu me costumo a ter, você se acostuma a procurar e o outro também e fica um ciclo vicioso. As pessoas vivem de costumes, esperanças, lembranças e muitas vezes ficam presas a isso e não seguem a diante. De fato, temos algumas coisas em comum, eu costumo ser chata, as vezes se acostumam com as minhas reclamações, algumas com fundamentos, outras não... coisas de cientista social.
Que seja... as vezes me pergunto... Pra que se acostumar tanto assim? De que adianta gastar um dia? Umas horas? Alguns minutos? E as vezes diante de tudo isso... acabar silenciando, gastando uma vida.
Não sei se importa ou não... talvez não importe o que vou fazer agora, não importe o que você fez ontem. Será que as coisas mudaram de lugar e ninguém percebeu? Ou na verdade continuam ali, paradas, estagnadas, sem dar um passo a frente por medo, insegurança. Por vezes, o mundo gira em torno de nós e nem notamos.
É hora de respirar... fundo, dar um passo a frente. Estou cansada de costumes mal acostumados...
(Michelli de Paula)
(Michelli de Paula)
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Parabéns Manaus, 342 anos, muita festa... política de pão e circo em alta!
Boi Manaus e a sua festa de 3 dias com investimentos absurdos que poderiam ser gastos de outras formas mais produtivas. Inaugurada a “Ponte do Bilhão”... Durante esse processo todo, só ouvia falar de reajustes altíssimos... Quanto custou realmente essa ponte para a população? Quanto dinheiro público foi desviado nessa construção? Enquanto isso... a educação fica de lado, sempre fica... aumento de salário de professor é sonho de proletário, se fizer greve é visto e tratado pela polícia como bandido. Segurança eu já ouvi falar, violência é o que eu presencio no dia-a-dia nas ruas, na televisão, na internet... Saúde pública é luxo, você chega num hospital, leva horas pra ser atendido e quando chega a sua vez, o médico olha pra sua cara... se for mulher e estiver vomitando ou tendo uma hemorragia o diagnóstico é gravidez, como se isso fosse doença e como se vomitar e sangrar fosse somente sintomas direcionados a isso e não a doenças mais graves. E o transporte coletivo? Tudo sucateado, pintado e com remendas... motoristas que dirigem como loucos, como se estivessem levando bichos ao invés de pessoas e a passagem ainda aumenta. E o que a justiça faz? Aprova esse absurdo! Não sei quanto a vocês, mas eu não tenho muito o que comemorar, retiro os meus parabéns a cidade e declaro que hoje na verdade estou de luto!
Boi Manaus e a sua festa de 3 dias com investimentos absurdos que poderiam ser gastos de outras formas mais produtivas. Inaugurada a “Ponte do Bilhão”... Durante esse processo todo, só ouvia falar de reajustes altíssimos... Quanto custou realmente essa ponte para a população? Quanto dinheiro público foi desviado nessa construção? Enquanto isso... a educação fica de lado, sempre fica... aumento de salário de professor é sonho de proletário, se fizer greve é visto e tratado pela polícia como bandido. Segurança eu já ouvi falar, violência é o que eu presencio no dia-a-dia nas ruas, na televisão, na internet... Saúde pública é luxo, você chega num hospital, leva horas pra ser atendido e quando chega a sua vez, o médico olha pra sua cara... se for mulher e estiver vomitando ou tendo uma hemorragia o diagnóstico é gravidez, como se isso fosse doença e como se vomitar e sangrar fosse somente sintomas direcionados a isso e não a doenças mais graves. E o transporte coletivo? Tudo sucateado, pintado e com remendas... motoristas que dirigem como loucos, como se estivessem levando bichos ao invés de pessoas e a passagem ainda aumenta. E o que a justiça faz? Aprova esse absurdo! Não sei quanto a vocês, mas eu não tenho muito o que comemorar, retiro os meus parabéns a cidade e declaro que hoje na verdade estou de luto!
domingo, 5 de junho de 2011
"...O que amacia a vida, acende o riso, convida a alma pra brincar, são essas imensas coisas pequeninas bordadas com fios de luz no tecido áspero do cotidiano.
Como o toque bom do sol quando pousa na pele.
A solidão que é encontro.
O café da manhã com pão quentinho e sonho compartilhado.
A lua quando o olhar é grande.
A doçura contente de um cafuné sem pressa.
Os instantes em que repousamos os olhos em olhos amados.
O poema que parece que fomos nós que escrevemos.
A força da areia molhada sob os pés descalços.
O sono relaxado que põe tudo pra dormir.
A presença da intimidade legítima.
A música que nos faz subir de oitava.
A delicadeza desenhada de improviso.
O banho bom que reinventa o corpo.
O cheiro de terra.
O cheiro de chuva.
O cheiro do tempero do feijão da infância.
O cheiro de quem se gosta.
O acorde daquela risada que acorda tudo na gente.
Essas coisas. Outras coisas. Todas, simples assim."
(Ana Jácomo)
Como o toque bom do sol quando pousa na pele.
A solidão que é encontro.
O café da manhã com pão quentinho e sonho compartilhado.
A lua quando o olhar é grande.
A doçura contente de um cafuné sem pressa.
Os instantes em que repousamos os olhos em olhos amados.
O poema que parece que fomos nós que escrevemos.
A força da areia molhada sob os pés descalços.
O sono relaxado que põe tudo pra dormir.
A presença da intimidade legítima.
A música que nos faz subir de oitava.
A delicadeza desenhada de improviso.
O banho bom que reinventa o corpo.
O cheiro de terra.
O cheiro de chuva.
O cheiro do tempero do feijão da infância.
O cheiro de quem se gosta.
O acorde daquela risada que acorda tudo na gente.
Essas coisas. Outras coisas. Todas, simples assim."
(Ana Jácomo)
segunda-feira, 9 de maio de 2011
"Que eu saiba as minhas asas, ainda que com medo.
Que, ainda que com medo, eu avance.
Que eu não me encabule jamais por sentir ternura.
Que eu me enamore com a pureza das almas que vivem cada encontro com os tons mais contentes da sua caixa de lápis de cor.
Que o Deus que brinca em mim convide para brincar o Deus que mora nas pessoas.
Que eu tenha delicadeza para acolher aqueles que entrarem na roda e sabedoria para abençoar aqueles que dela se retirarem.
Que, durante a viagem, eu possa saborear paisagens já contempladas com olhos admirados de quem se encanta pela primeira vez.
Que, diante de cada beleza, o meu olhar inaugure detalhes, ângulos, leituras, que passaram despercebidos no olhar anterior.
Que eu me conceda a benção de ter olhos que não se fechem ao espetáculo precioso da natureza, há milênios em cartaz, com ou sem plateia.
Quero aprender a ser cada vez mais maleável comigo e com os outros.
Que, ainda que com medo, eu avance.
Que eu não me encabule jamais por sentir ternura.
Que eu me enamore com a pureza das almas que vivem cada encontro com os tons mais contentes da sua caixa de lápis de cor.
Que o Deus que brinca em mim convide para brincar o Deus que mora nas pessoas.
Que eu tenha delicadeza para acolher aqueles que entrarem na roda e sabedoria para abençoar aqueles que dela se retirarem.
Que, durante a viagem, eu possa saborear paisagens já contempladas com olhos admirados de quem se encanta pela primeira vez.
Que, diante de cada beleza, o meu olhar inaugure detalhes, ângulos, leituras, que passaram despercebidos no olhar anterior.
Que eu me conceda a benção de ter olhos que não se fechem ao espetáculo precioso da natureza, há milênios em cartaz, com ou sem plateia.
Quero aprender a ser cada vez mais maleável comigo e com os outros.
Desapertar a rigidez. Rir mais vezes a partir do coração."
(Ana Jácomo)quinta-feira, 28 de abril de 2011
[ C.F.A. ]
"Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora... Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço."
"É tempo de me fazer, eu sei."
" Tenho medo de já ter perdido muito tempo. Tenho medo que seja cada vez mais difícil. Tenho medo de endurecer, de me fechar, de me encarapaçar dentro de uma solidão -escudo".
Ando meio fatigado de procuras inúteis...
”Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros''
"É tempo de me fazer, eu sei."
" Tenho medo de já ter perdido muito tempo. Tenho medo que seja cada vez mais difícil. Tenho medo de endurecer, de me fechar, de me encarapaçar dentro de uma solidão -escudo".
Ando meio fatigado de procuras inúteis...
”Tão estranho carregar uma vida inteira no corpo e ninguém suspeitar dos traumas, das quedas, dos medos, dos choros''
segunda-feira, 18 de abril de 2011
Meu negócio é reticência.
"O meu sentido é outro.
Não quero ser verbo dito,
Não quero fazer sentido.
O meu sentido pode ser tanto olfato, quanto tato.
E quanto tato.
Não é questão de teoria da prática
É de quem toca pra quem toca
Não quero encadernar
São só idéias que eu não quero ver com organização lógica raciniana.
Quero poder colar, uma por cima da outra
Sem ter que dizer a ninguém o espaçamento que há entre elas.
Elas são tão minhas, humanas, tortas e orgânicas quanto eu mesma
Que já sou lógica, fazendo sentido e raciniana o suficiente
Pra não querer ser mais um pouco nas idéias.
Gosto dos cheiros, dos livros velhos puídos, dos delírios febris com Peter Pan
Das roupas largas macias, dos biscoitos quebrados, das flores despetaladas.
O meu negócio nunca foi ser explicada, didática, entendida
Sempre fui da turma dos sentidos, de quem cheira, de quem pega, de quem sabe.
Sou da ala dos que sentem... Sem ponto final."
Não quero fazer sentido.
O meu sentido pode ser tanto olfato, quanto tato.
E quanto tato.
Não é questão de teoria da prática
É de quem toca pra quem toca
Não quero encadernar
São só idéias que eu não quero ver com organização lógica raciniana.
Quero poder colar, uma por cima da outra
Sem ter que dizer a ninguém o espaçamento que há entre elas.
Elas são tão minhas, humanas, tortas e orgânicas quanto eu mesma
Que já sou lógica, fazendo sentido e raciniana o suficiente
Pra não querer ser mais um pouco nas idéias.
Gosto dos cheiros, dos livros velhos puídos, dos delírios febris com Peter Pan
Das roupas largas macias, dos biscoitos quebrados, das flores despetaladas.
O meu negócio nunca foi ser explicada, didática, entendida
Sempre fui da turma dos sentidos, de quem cheira, de quem pega, de quem sabe.
Sou da ala dos que sentem... Sem ponto final."
quinta-feira, 24 de março de 2011
Ponto de Equilíbrio...
“Estou em busca do meu “ponto de equilíbrio”, anda perdido, sumido...
Não sei quando se afastou ou se perdeu de mim.
Só sei que ele sumiu.
Sequestrado? Perdido? Tirou férias e nem ao menos avisou?
Não sei, se afastou devido tanta pressão... monografia, problemas e problemas, noites em claro.
Por onde anda... estou me estressando a toa... fazendo mal a toa.. sem paciência para certas coisas e não gosto disso...
Nunca fui normal, isso é verdade... mas quem é normal?
Volte ponto de equilíbrio, ta fazendo falta...
Quem o achar por aí, faça-me o favor de devolver...”
(Michelli de Paula)
quarta-feira, 23 de março de 2011
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